A FESTA NUNCA ACABA

Esta crónica breve sobre o 1º Festival Portalegre Core, que vocês estarão a ler quando o calor começa a apertar e a sede a aumentar, só tem uma razão de ser: a 1ª edição do Festival, apesar de algumas vicissitudes, foi um sucesso, e quando as coisas correm bem, há vontade de fazer mais e melhor.

Escrevo hoje como voluntário da Portalegre Core e também como alguém, por razões profissionais e (muito) pessoais, ligado ao mundo da cultura e da música. Por isso, não vou ser neutral e objetivo sobre a minha experiência no Portalegre Core I, porque as experiências são sempre pessoais, e têm a ver com afetos e com acontecimentos únicos.

Depois deste aviso à navegação, tenho a dizer que a razão por que vou voltar a fazer parte do Core versão II (mais velha e mais sábia, e menos sedenta, espero!), é que este grupo é uma grande família, de pessoas de idades e gostos musicais diversos, de backgrounds o mais diferentes possível, mas que quando chegou a altura de arregaçar as mangas e de trabalhar para um amor em comum (a música), não defraudou as expetativas.

Há coisas a melhorar, claro, porque quem começa do início e é amador aprende com a experiência, mas também há coisas que já foram bem-feitas e que devem continuar a ser assim feitas: o preço dos bilhetes (mais que acessível aos “filhos da crise”), a aposta nos “santos da casa” e também a aposta em estilos musicais alternativos, a coorganização com o município, a escolha de uma vertente diferente e original para os stands de apoio ao festival (artesanato, tatuagens, etc.) e, este ano, o próprio local onde será feito o festival, um “ex-libris” da cidade que está a voltar a ser dinamizado, com a preciosa ajuda dos escuteiros, e doutros “escuteiros” musicais, a Portalegre Core.

Numa nota final, quero apenas dizer que ainda não será este ano que vou levar tampões para os ouvidos: o facto de a maioria dos grupos escolhidos o ano passado (e este) não se englobarem exatamente nos meus estilos musicais preferidos, para mim é irrelevante.

Um voluntário é alguém que está pronto para tudo, até para “sofrer”, mas pessoalmente acho um desafio ouvir coisas novas, alargar os meus horizontes musicais, mesmo que seja o único que não “percebe” aquela banda, ou que pense que o pessoal de cabelo grande e que não para um minuto de abanar a cabeça, precisa seriamente de descanso…